
O Avanço do Integralismo no Planalto Norte: A Marca da Década de 1930 em São Bento do Sul
Por Alan Alves Moreira
O Avanço do nazismo no Planalto Norte: A Marca da Década de 1930 em São Bento do Sul
Por Alan Alves Moreira
Jornal A Liberdade
Na década de 1930, o Brasil vivenciava um cenário de intensa polarização ideológica. Enquanto o fascismo se consolidava na Europa e o comunismo ganhava força globalmente, o território nacional via emergir a Ação Integralista Brasileira (AIB), fundada em 1932 pelo escritor Plínio Salgado. Em Santa Catarina — e de modo bastante singular no Planalto Norte, incluindo São Bento do Sul —, o movimento encontrou um terreno fértil para se expandir e influenciar os rumos políticos da região.
O Enraizamento no Planalto Norte Catarinense
Durante os anos 1930, Santa Catarina transformou-se em uma das principais bases da AIB no país. O Estado contava com uma das maiores proporções de filiados ao movimento em relação à sua população, rivalizando com grandes centros urbanos do país.
Em cidades com expressiva colonização europeia, como São Bento do Sul, Joinville e Blumenau, a pauta da AIB encontrou eco em diversos setores sociais. O discurso integralista apoiava-se no lema "Deus, Pátria e Família" e em valores como o corporativismo, a moralidade religiosa e o combate ao avanço do comunismo e do liberalismo.
Representatividade e Poder Local: A força eleitoral do movimento na região ficou evidente nas eleições municipais de 1936. Em São Bento do Sul, o apoio ao integralismo manifestou-se na política local com a eleição de lideranças alinhadas às diretrizes da AIB, a exemplo de Ernesto Venera dos Santos, eleito prefeito na época.
Adesão Popular e Classes Sociais: Diferente de outros movimentos políticos restritos às elites tradicionais, o integralismo na região conseguiu mobilizar operários, pequenos produtores agrícolas, comerciantes e a classe média urbana.
Vestimentas, Símbolos e Rituais
A presença dos simpatizantes da AIB em São Bento do Sul era notada tanto nas urnas quanto nas ruas. O movimento trazia uma estética rígida e disciplinada:
Os "Camisas-Verdes": Os militantes usavam camisas de cor verde com gravatas pretas, o que levou os opositores a apelidá-los pejorativamente de camisas-verdes ou galinhas-verdes.
O Símbolo do Sigma: Usavam a letra grega maiúscula \Sigma (Sigma) como emblema, simbolizando a soma de todas as forças sociais em prol da nação.
A Saudação "Anauê": Em desfiles, reuniões e no cotidiano dos núcleos locais, a saudação oficial era a palavra de origem tupi "Anauê" (que significa "Você é meu irmão"), acompanhada do braço direito estendido.
A Virada de 1937 e a Ilegalidade
A ascensão do integralismo em São Bento do Sul e em todo o Brasil sofreu um golpe definitivo no final da década. Em novembro de 1937, Getúlio Vargas deu o golpe do Estado Novo, fechando o Congresso Nacional e abolindo todos os partidos políticos do país — incluindo a AIB.
Com a decretação da ilegalidade e a posterior tentativa frustrada de levante armado pelos integralistas no Rio de Janeiro em maio de 1938, a repressão governamental intensificou-se em Santa Catarina. Núcleos foram desmantelados, símbolos foram proibidos e a militância ostensiva no Planalto Norte foi forçada a encerrar suas atividades.
Um Capítulo da História Regional
A passagem do integralismo por São Bento do Sul nos anos 1930 permanece como um importante objeto de análise historiográfica. O período reflete como as grandes correntes ideológicas do entreguerras mundial reverberaram no cotidiano das cidades do interior catarinense, moldando os debates, a política e a memória cultural do Planalto Norte.








