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Novas Fases da Compliance Zero: Doações Milionárias para Filme Biográfico e Apreensões na Cúpula do Governo Agitam o Caso Banco Master

Novas Fases da Compliance Zero: Doações Milionárias para Filme Biográfico e Apreensões na Cúpula do Governo Agitam o Caso Banco Master

Por Alan Alves Moreira

Alan Alves Moreira
23 de junho de 2026
121 visualizações

As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero ganharam capítulos ainda mais complexos, expondo transações milionárias de caráter privado, apreensões de valores em espécie e novos detalhes sobre a extensa rede de influência do Banco Master junto a figuras de proeminência nacional. O avanço das apurações, que miram fraudes estimadas em dezenas de bilhões de reais, alcançou núcleos políticos tanto da oposição quanto da base do governo.

O Financiamento de R$ 61 Milhões para Filme Biográfico de Bolsonaro

Uma das revelações mais contundentes envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mensagens e áudios obtidos pelos investigadores revelaram que o parlamentar intermediou e cobrou diretamente do banqueiro Daniel Vorcaro o patrocínio para a produção de um longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com as apurações, o dono do Banco Master teria repassado cerca de R$ 61 milhões para o projeto, em operações estruturadas entre fevereiro e maio de 2025, com indícios de que os valores totais negociados poderiam chegar a R$ 134 milhões por meio de fundos no exterior. Em pronunciamentos e entrevistas, o senador Flávio Bolsonaro confirmou ter feito a interlocução em busca do aporte financeiro, mas defendeu que se trata exclusivamente de "dinheiro privado" destinado a uma produção cinematográfica privada, negando qualquer relação espúria ou recebimento de vantagens ilícitas.

Dinheiro em Espécie e Ingressos de Show: A Pressão Sobre Jaques Wagner

Na base aliada do Palácio do Planalto, a situação do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), agravou-se com a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, a ação apontou o senador baiano como suposto beneficiário central de vantagens estruturadas por interlocutores do banco.

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, a PF apreendeu aproximadamente US$ 49 mil em espécie e 13 relógios de luxo. O relatório policial aponta três frentes de investigação sobre Wagner: a suposta promessa de um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador, pagamentos milionários a empresas do seu núcleo familiar e mimos extras, como a compra de ingressos de alto valor para um show da cantora Taylor Swift no exterior para parentes do senador. A PF suspeita que as vantagens visavam garantir apoio do parlamentar a pautas de interesse do Master no Congresso — como propostas envolvendo créditos consignados (CredCesta) e mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O senador Jaques Wagner nega as acusações, afirma que sua atuação parlamentar seguiu as diretrizes formais do governo e que mantém sua rotina de trabalho normalmente.

Lobbies, Mesadas e Articulações Multi-Legendas

Os novos relatórios detalham que a capilaridade da instituição financeira ia além do Congresso. No Progressistas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a ser investigado sob a suspeita de recebimento de mesadas e o custeio de viagens internacionais — incluindo hospedagens de luxo em Lisboa pagas por Vorcaro —, em troca da defesa de pautas estratégicas no Legislativo.

O caso mantém sob os holofotes do judiciário outras autoridades de grande expressão, como o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), citado por supostas tratativas de repasses no exterior, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), pela articulação que envolveu a bilionária compra de carteiras de crédito do Master pelo Banco de Brasília (BRB). O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, permanece entre os principais alvos após ter sua prisão decretada sob acusação de receber propinas imobiliárias para favorecer o grupo financeiro.

Defesas Rejeitam Acusações

Diante da escalada das denúncias e das novas fases ostensivas, a defesa de todos os citados — incluindo os senadores Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner, bem como os representantes dos banqueiros Daniel Vorcaro e Augusto Ferreira Lima — reitera publicamente que todas as suas atividades e transações foram estritamente lícitas e transparentes. Os investigados afirmam estar à disposição das autoridades e pontuam que o andamento do processo demonstrará a regularidade de suas condutas.

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